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domingo, 15 de fevereiro de 2015

O mundo do espetáculo. Virtual e contundente.



Parece que a materialidade da reflexão é realmente realizada pelo próprio corpo. A consciência aprende com o corpo a refletir.

É a relação corpo a corpo que nos possibilita ser espacial e ser temporal. Porém, o mundo virtual[1] é desprovido da referência do espaço e do tempo, o que fatalmente desloca o centro de nossa experiência.

O que realmente acontece quando perdemos a espacialidade e a temporalidade de nosso corpo e da nossa experiência?

Estamos, pois atópicos, ou seja, sem espaços e, nos situamos na acronia, ou seja, sem tempo. Identificamos o mundo virtual por essas duas ausências características, a saber: a atonia e acronia.

Atualmente através dos satélites e a informática percebemos que nosso cérebro se expande cada vez mais; E, com isso, se diminui a distância espacial e temporal, chegando mesmo até abolir o espaço e o tempo.

De fato, o universo está online durante vinte e quatro horas ao dia, sem obstáculos de distância e de diferenças geográficas, culturais, sociais, políticas, nem com a distinção entre o dia e a noite, ontem e amanhã.

A contundência do mundo virtual se faz presente em paralelo ao mundo real. E, o influencia. Afinal, tudo se passa exatamente aqui e agora. Nesse exato instante.

Como se vê nas salas de bate-papo (chats) onde é possível conversar com pessoas de outro extremo do planeta e cuja presença online é instantânea e imediata. Então também se percebe que as operações financeiras são realizadas num piscar de olhos entre empresas e bancos, situados em os mais distantes pontos.

Com a revolução da informática estamos diante de nova inserção do saber e da tecnologia no modo de produção capitalista.

Nas revoluções técnicas e tecnológicas anteriores, a pesquisa científica teórica era autônoma e se tornava ciência aplicada quando empregada por meio de tecnologias vinculadas à produção econômica, ou quando os resultados teóricos eram retomados com fins econômicos em laboratórios mantidos por empresas de produção.

Hoje a ciência tornou-se prioritariamente uma força produtiva. Deixando de ser uma força de conhecimento autônoma e de ser suporte para o capital para se converter no principal agente de acumulação e reprodução de capitais. Cogita-se, por exemplo, em capital[2] intelectual das empresas.
Consequentemente a força e o poder capitalista encontram-se hoje no monopólio do conhecimento e da informação. E, é isso que dá origem a expressão sociedade do conhecimento[3].

A sociedade do conhecimento é uma nova etapa da sociedade industrial, é a aldeia global da era tecnotrônica. Um dos primeiros a desenvolver o conceito de sociedade da informação foi o economista Fritz Machlup. Seu trabalho culminou o estudo intitulado “The production and distribution of knowledge in United States” em 1962.

O problema da tecnologia e seu papel na sociedade contemporânea têm sido muito discutidos na literatura científica usando uma série de rótulos e conceitos.

Portanto, sociedade da informação[4] também chamada sociedade de conhecimento ou nova economia[5] que surgiu ao final do século XX, com origem no termo globalização. Tal sociedade se encontra em contínua formação e expansão.

Com essa expressão pretende-se indicar que a sociedade e a economia contemporânea se fundam sobre a ciência e a informação graças ao uso competitivo do conhecimento, da inovação tecnológica e da informação nos processos produtivos e financeiros, bem como os serviços como a educação, a saúde e o lazer.

O ponto crucial é saber quem tem a gestão de toda essa massa de informação, quem tem o controle coletor e distribuidor dessa gigantesca massa de informação.

Afinal, quem tem de fato detém o poder da informação[6]?

David Harvey autor da obra “Cidades Rebeldes” que fora publicado em 2014, é um geógrafo inglês, formado pela Universidade Cambridge e atualmente trabalha com diversões e questões ligadas à geografia urbana.

Mas, recentemente, Harvey tem defendido a tese do crescimento zero para a economia global e, durante o fórum social mundial de 2010 afirmou que: “Três por cento de crescimento composto (geralmente considerada a taxa de crescimento mínima satisfatória para uma economia capitalista), está se tornando cada vez menos viável de se sustentar sem recorrer a toda sorte de ficções[7] (com aquelas que têm caracterizado os mercados de ativos financeiros e o mundo dos negócios ao longo das últimas duas décadas)”.

Há boas razões para acreditar que não há alternativa senão através de nova ordem mundial de governança que afinal deverá gerir a transição para uma economia de crescimento zero.

Em 2013, David Harvey pouco antes das manifestações que dominaram as ruas em junho de 2014, aqui no Brasil, veio aqui para o Seminário Margem Esquerda da Editora Boitempo.

Evento marcou a publicação de uma nova tradução de “O Capital” de Karl Marx e integrou o projeto: “Marx: a criação destruidora” que reuniu nomes como Michael Heinrich, Slavoj Zizek, Chico de Oliveira, José Arthur Gianotti, Robert Scwarz, entre outros, para debater o legado da Magnum opus de Marx.

Em sua obra, “Condição Pós-moderna” publicada em 1993 apontou como consequência da nova forma assumida pelo capitalismo, a chamada globalização, uma transformação, sem precedentes na nossa experiência do espaço e do tempo que é designada por ele como a compreensão do espaço temporal.

Harvey faz uma distinção entre a forma que tinha a organização da produção econômica até o momento em que se inicia a chamada globalização[8] e o que acontece com ela.

No período que antecede a globalização o que predomina é a organização fordista[9] de trabalho. Identificamos o fordismo normalmente como a linha de montagem da produção, mas significa bem mais do que isso. Representa a economia na qual uma empresa detém e controla a produção desde a matéria-prima até a ponta final que é a distribuição e o consumo do produto.

Uma única empresa controla todas as etapas. Para fazer isso de forma racional, ou seja, para gerar lucro, as empresas tendiam a se concentrar em uma única planta. Uma coisa que era típica na produção fordista era um empenho na qualidade final do produto.

Assim um produto era consagrado no mercado, mantido na tradução do mercado e do consumo, expandido, graças a sua qualidade[10].

O primeiro elemento de qualidade para as empresas desta época era a durabilidade. As empresas estavam ligadas a ideia de fazer estoque porque os produtos de boa qualidade eram duráveis e você tinha o estoque para atender à demanda crescente que se faria em torno do produto.

Na era da globalização temos o fim da grande revolução industrial. A produção está inteiramente fragmentada da classe trabalhadora que tinha no local de trabalho como um lugar onde se organizava, onde se criava seus referenciais de identidade e de luta.

Era o modo pelo qual esta se organizava em associações e sindicatos. Quando então isto se esfacela, a classe trabalhadora não tem mais o referencial e precisa reinventar, criar e produzir novos referenciais para ela como classe social.

Porque o que surge agora é apenas um conjunto fragmentado de indivíduos operando isoladamente uns dos outros e, não é por acaso que, nesta nova forma de produção, ressurge o que existiu no início do capitalismo e que depois desapareceu: a empresa familiar.

Temos assim o fenômeno da fragmentação econômica e da dispersão sociopolítica. Todo este processo é negado e ocultado pelo movimento oposto que é o movimento que vai produzir uma unificação sem precedentes.

É essa verificação que Harvey vai chamar de “compressão espaço-temporal”. Com avanço tecnológico eletrônico e de informação há a fronteira e a compressão do tempo[11], onde tudo se passa imediatamente agora, sem passado e também sem futuro.

Assim, a produção no processo de globalização abandonou evidentemente a ideia de qualidade, e abandonou também  e mais veementemente a ideia de estocagem de mercadorias e opera apenas com o descartável.

Enfim, tudo é descartável. Volátil e efêmera a nossa experiência desconhece, portanto qualquer sentido de continuidade e, se esgota em um presente reduzido e urgente, há sempre um instante fugaz.

Nada exemplifica melhor a referida fugacidade temporal e sua respectiva redução que se consolida num só instante, sem passado e sem futuro como o Twitter[12] que estabelece a comunicação[13] em estreitos cento e quarenta caracteres.

Vivemos sob o signo da telepresença e da teleobservação (onde as câmeras de monitoramento se multiplicam tanto no aspecto privado como no público) onde tudo parece nos ser imediatamente dado e oferecido sob a forma de transparência de imagens apresentadas como evidências. E que são armazenadas e acessíveis.

Se compararmos as análises de Maurice Merleau-Ponty[14] sobre o nosso corpo na era contemporânea de atopia e acronia, podemos afirmar que há um mundo novo, um mundo tremendamente virtual e desprovido de espessura temporal-espacial.

Um mundo no qual o nosso corpo o reduz: de um lado à percepção visual de imagens plenas e fugazes e, de outro lado, a atividade mecânica de controle de operações e sinais propostos pelos autômatos.

Um mundo sem lugares, distâncias, profundidades e qualidades. O mundo da utopia.

Um mundo sem tempo no qual nada passa e também nada permanece, pois tudo coexiste sem passado e sem o tempo. No qual nada passa, nada fica, pois tudo coexiste num só presente que é interminável. Enfim, o mundo da acronia. Mas ainda nos interrogamos: o que afinal significa virtual?

Deve-se reconhecer que a sucessão dos regimes de acumulação capitalista muito contribuiu para a modernização da dinâmica dos processos laborais, das formas de regulação, da composição política do proletariado, do tipo de organização de produção.

Tais novas configurações territoriais do capitalismo contemporâneo derivaram em sua grande parte da sucessão de rupturas desencadeada a partir do colapso sistêmico do regime de acumulação fordista na segunda metade do século XX.

E, neste período, o fordismo passa por aguda crise marcada pela baixa lucratividade, elevação inflacionária nos países capitalistas, taxas de juros altos empregados pelos EUA, desvalorização do dólar, crise do petróleo, avanço do modelo de reivindicação das classes sociais, compilação da teoria crítica ao trabalho.

Associado a isso, ainda ocorreram eventos tais como a desintegração vertical das indústrias de produção de massa que se evidenciou nos anos 70 e 80 e, em plena fase de reestruturação econômica e reajustamento político e social, de que as estruturas socioespaciais produzidas na industrialização fordista estavam em dissolução e aniquilamento.

Tais estruturas ao ser parcialmente substituídas por novas formas e novas funções na organização industrial e na vida socioeconômica e política nos países capitalista exige, paulatinamente, o fim da rigidez das relações sociais de produção e consumo e, assim, a emergência de modelo denominado de acumulação flexível.

Na concepção de Harvey a transição de um regime de acumulação fordista para o modelo de acumulação flexível permitiu minar certa rigidez normativa preexistente entre as relações sociais e promover a restauração do progresso do sistema capitalista.

As práticas relacionadas a esta nova etapa de acumulação de capital em resposta à crise do capitalismo, para o qual Harvey aponta as seguintes características: flexibilidade dos processos de trabalho, dos produtos e padrões de consumo; surgimento de serviços financeiros e novos mercados; manutenção de taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional; rápidas mudanças dos padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas; valorização do trabalho no setor de serviços; e, finalmente, a inserção de conjunto e práticas industriais em áreas até então, pouco industrializadas que utilizam estratégias arrojadas de atração de capital, mão de obra barata, isenção de imposto e baixo custo de instalação das empresas (Flandres, na Bélgica; Califórnia, nos EUA; Cingapura, em Cingapura; Seul, na Coréia do Sul, entre outros).

Além disso, a profusão de técnicas e tecnologias que permitem a “compressão do espaço-tempo”[15] acompanhada por uma radical reestruturação no mercado de trabalho diante da volatilidade do mercado e do aumento de competição interempresarial e também um retrocesso do poder de luta dos sindicatos trabalhistas.

Esta fase, iniciada na década de 60 e parcialmente completada no início dos anos 90 provocou mudanças estruturais não somente na organização do trabalho e operação produtiva, mas em todos os segmentos do consumo.

Esse novo princípio contém em único processo de tratamento da produção, desde a mercantilização das formas culturais até a racionalização do trabalho operário.

Por tal razão, identifica-se uma maior mobilidade e flexibilidade do capital, tendendo para uma existência nômade crescente e representando uma relação global em todos os setores da economia, da política e da sociedade.

Inicialmente, o novo modo de desenvolvimento capitalista, estrutura-se mediante o tratamento da informação e a introdução de novas tecnologias a partir da automação das máquinas e sua extensão normativa para os sistemas virtuais de controle na vida social.

Para Mônica Arroyo, “a informação aparece, então, como o principal motor da vida contemporânea, como a forma de energia predominante no comando de todas as fases do processo de produção”. Neste sentido, a informação se define como um meio eficaz de abordar e seduzir as fragilidades do indivíduo.

Estes novos aliados do modelo capitalista lançam mão de recursos tais como: softwares de interfaces microeletrônicas, a produção de conhecimento para alcançar o pleno desenvolvimento dos meios de acumulação e de gestão organizacional das atividades produtivas.

Este modelo de acumulação, que combina estratégias comerciais, escoamento da produção, gestão de excedentes, teve seu nascimento no Japão durante os anos 70 e ficou conhecido como toyotismo[16].

É importante lembrar que este novo conceito de produção e consumo, apesar de ter origem em terras nipônicas, a sua dimensão foi deveras alargada em diversos países, podendo dispor de outras nomenclaturas regionais.

O conjunto de inovações organizacionais que transformou profundamente as estruturas de produção, quanto à relação dos processos de trabalho (contratos, organização no interior da empresa, salários, gestão de recursos humanos) e do convívio social (dinâmica do consumo, lazer, acesso), apresenta como objetivo básico o atendimento dos quesitos necessários para a prosperidade do capital.

Estas modificações buscam uma maior eficiência produtiva associada à produção sem estoque e de pronta reação à demanda do mercado.

Para Coriat, essas inovações consistem na combinação de dois princípios: auto-ativação e Just in time. O primeiro, a auto-ativação, procede para um único processo de transformação do trabalhador em atores multifuncionais a partir da linearização da produção e da organização do trabalho em torno de postos polivalentes.

O segundo, o just in time, refere-se ao maior rendimento do trabalho vivo, centrado na manipulação e observação simultânea da necessidade de suprir no tempo estipulado a quantidade exata de produtos.

Pode-se afirmar que a característica deste refere-se à diminuição do tempo de giro da mercadoria e a racionalização do trabalho. Isto se torna possível mediante a introdução de novas tecnologias de produção, como a automação e robotização dos sistemas, em relação à redução do tempo de circulação do consumo do produto, o denominado tempo de vida substancial.

Esses dois campos são de grande importância para entender a constituição do capitalismo contemporâneo e as relações de interdependência.

Segundo Harvey, “a meia vida de um produto fordista típico, por exemplo, era de cinco a sete anos, mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em certos setores (como o têxtil e o de vestuários)”.

Os investimentos foram repassados por ambas as áreas, porém, ocorre uma intensificação na da preparação do novo consumidor. Com efeito, dedica-se uma maior atenção nos artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural ordenada no cenário material da vida.

O modo de funcionamento da reprodução capitalista reside, sobretudo, na imaterialidade (trabalho intelectual/linguístico e trabalho afetivo) e na simbiose entre a produção e o consumo.

De modo que, no presente período, conhecimento/informação transformam-se na base do processo de valorização e circulação da mercadoria.

A circulação deve ser concluída em uma determinada extensão de tempo de rotação, socialmente necessária para o consumo e ditada pelas lógicas do mercado antes de se tornarem obsoletas para a sociedade.

A valorização implica, neste sentido, a forma de acesso ao universo da mercadoria e no exercício de tornar ativa a “pulsão espontânea” de consumo do indivíduo.

O poder do consumo é epidêmico[17], envolve o indivíduo e estimula a dinâmica da sociedade capitalista. O consumo, como argumenta Rolnik, foi (e é) “cafetinado” a serviço da acumulação capitalista.

Para Santos, “o poder de consumo é contagiante, e sua capacidade de alienação é tão forte que sua exclusão atribui às pessoas a condição de alienados”.

O que está em jogo é a racionalidade consumista, em moldes não mais apropriáveis pelos antigos conceitos do paradigma produtivista, tais como produção-produção e, sim, pela forma categórica de transformar simples objetos em ícones do consumo.

Para que isto ocorra, o capitalismo contribui para oprimir o ócio, reduzir o tempo, padronizar o gosto e controlar a natureza intrínseca das coisas.

O papel do desenvolvimento avassalador do capitalismo reflete-se na transformação dos hábitos cotidianos, das relações entre as pessoas, das percepções dos espaços e dos seus respectivos significados[18].

Assim concebida, esta cultura redefine o território e cria  territorialidades orientadas pelo mercado.  (In: COSTA, Pedro Henrique Ferreira; GODOY, Paulo Roberto Teixeira. O capitalismo contemporâneo e as mudanças no mundo do consumo. X Colóquio Internacional de Geopolítica. Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/-xcol/330.htm; Acesso em 15/02/2015.)

O mundo virtual é ambiente simulado através de recursos computacionais destinados a permitir a interação dos seus usuários através de avatares. Em geral, são ambientes imersivos ou realidades paralelas. Possuem o conceito de persistência, pois o estado de seus objetos se preserva independentemente de presença do usuário.

MMORPGs[19] (Massively Multiplayer Online Role Playing Games) usualmente lúdico e não se preocupa em replicar as regras e o funcionamento da vida real, seja em como o ambiente se comporta como em quem são os seres que o habitam.

Geralmente determinam uma vida linear, estabelecendo metas e objetivos evolutivos. Para compreendermos o conceito de mundo virtual vale a pena mencionar outro conceito com o qual este tende a ser indevidamente confundido o conceito de possível.

O modo de relação entre o possível e o real, e entre o virtual e o real também, não é o mesmo. Na tradição filosófica do possível é aquele que pode vir a existir se houver um agente ou as circunstâncias que o façam passar a existência.

O real é o que existe efetivamente. O possível é o que pode vir a existir, conforme existam condições favoráveis. Também na tradição filosófica tendia-se a identificar o possível e o virtual.

A semente é a árvore virtual. Ou a árvore possível. Isto é, considerava que o possível e o virtual em simples potencialidades latentes que poderia vir à existência se houvesse um agente ou circunstâncias favoráveis ao acontecimento.

Ainda na perspectiva filosófica, uma expressão como “realidade virtual” como a realidade virtual é não senso, posto que o virtual seja irreal. É mero possível e ainda inexistente, algo irreal.

A revolução cibernética e a informática[20] modificaram o conceito de virtual. O virtual é o real e já existe. Este não se opõe ao real, se opõe ao atual.

Agora se estende por virtual como algo real e existente que aguarda uma atualização. É aquilo que pode ser infinitamente atualizado. O virtual é o que não pode ser determinado por coordenadas espaciais ou temporais porque ele existe sem estar presente em um espaço e tempo determinados.

Ou seja, para o virtual a atopia e a acronia são seu modo de ser. É o seu modo de existir e a atualização é o modo de relação dos indivíduos humanos como sistemas informacionais.

Verifica-se uma diferença entre a forma fordista da organização do trabalho par a relação do capital e a nova forma assumida pela economia com a globalização.

O que é virtualizar uma empresa capitalista? Em um modo empresarial clássico, uma empresa reunia seus empregados num mesmo edifício. O emprego do tempo dos funcionários era especificado or suas horas (horários de trabalho).

Uma empresa virtual, em contrapartida, faz o uso maciço do teletrabalho. E tende-se a substituir a presença física dos empregados nos locais de trabalho pela participação em uma rede de comunicação eletrônica e, o uso de recursos computacionais em uma rede de comunicação eletrônica e, favorecendo a cooperação.

O centro gravitacional da organização contemporânea de trabalho não é mais um conjunto de postos de trabalho e de empregos de tempo, mas sim, um processo dinâmico de coordenação que redistribuiu as coordenadas espaço-temporais, do coletivo de trabalho e de cada um dos membros em razão das diferentes exigências da empresa.

Isto é a fragmentação total onde ninguém precisa encontrar ninguém, bastando apenas uma relação mediada pela telecomunicação e a telepresença.

Com o virtual surge a cibercultura que se encontra ligada ao virtual de duas maneiras: de forma direta e indireta.  A primeira forma refere-se à digitalização da informação que pode ser aproximada da virtualização.

Os códigos dos computadores[21] inscritos nos discos rígidos invisíveis são facilmente copiáveis ou transferíveis de um nó para outro da rede, são quase virtuais que sejam independentes de coordenados espaço-temporais determináveis.

No centro das redes digitais a informação situada em algum lugar, ou seja, em um determinado suporte. Mas ele está também virtualmente presente em cada ponto da rede onde esta seja solicitada.

O mundo virtual considerado como um conjunto de códigos digitais é um potencial de imagens, enquanto uma determinada cena durante uma imersão no mundo virtual se atualiza, este potencial em contexto particular de uso sempre se aprimora.

Indiretamente a digitalização e a virtualização se relacionam porque as redes digitais e interativas[22], no seu desenvolvimento, se favorecem mutuamente.

Assim, a comunicação contínua como digital, o movimento de virtualização, iniciado há muito tempo com técnicas antigas como a escrita, a gravação de som e imagem, o rádio, a televisão e o telefone.

O ciberespaço[23] encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos: telecomunicações, telepresença e das coincidências dos tempos.

A extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma virtualização geral da economia e da sociedade, e a inteligência coletiva[24] do meio multiplica e coloca em sinergia diferentes competências.

Do desígnio à estratégia os cenários são alimentados pelas simulações e pelos dados que são colocados à disposição pelo universo digital.

O ciberespaço[25] julga alguns, é o vetor de um universo aberto, isto é, a depuração de um espaço universal, ou seja, o não espaço. Muito de seus idealizadores e defensores do ciberespaço se refere a ele significativamente como um espaço desincorporado e espiritual.

Possibilidades, segundo alguns, de que nós possamos nos transformar em seres de pura luz, livres da brutalidade, e do caos próprio de nossos corpos, livres do espaço, livres do tempo.

Novos anjos de um novo paraíso terrestre no qual evidentemente não haverá a morte porque poderemos fazer um download de nossas mentes para os computadores e transcendendo a materialidade, o espaço e o tempo, e finalmente viver eternamente no espaço digital.

Ora, como se percebe, nós estamos de volta ao nosso ponto de partida: de volta ao clássico problema filosófico da relação entre o corpo e alma, a matéria e o espírito, o mundo e o pensamento.

É intrigante observar a oposição entre duas atitudes predominantes no mundo contemporâneo. De fato, enquanto a cultura[26] do ciberespaço propõe a desmaterialização do homem, a sua transformação em ser de pura luz sem espaço e sem tempo, por sua vez a genética, a bioquímica e a neurobiologia tomam direção justamente oposta, posto que proponha a pura materialidade do espírito, a indistinção entre cérebro e alma, cérebro e consciência.

Estas duas atitudes estão presentes quando usamos expressões como inteligência artificial, armas inteligentes, tecidos inteligentes, remédios inteligentes, edifícios inteligentes, etc., sem perceber que passamos a utilizar a designação “inteligente” para objetos técnicos.

Desta forma, nós passamos a considerá-los como coisas habitadas por consciências ou almas, enfim, caímos numa concepção animista.

Mas em contrapartida, do lado do ciberespaço[27] nós nos tornamos puras almas angélicas sem corpo enquanto do lado da ciência nós nos tornamos puros corpos sem alma.

Estas questões são discutidas e problematizadas em particular em dois filmes: Matrix e Avatar[28].

Qual o impacto dessa desmaterialização nas relações sociais? Sempre soube desde Weber que a ética protestante foi inseparável do capitalismo porque trouxe aquilo que era indispensável para a exploração do trabalho e defendia a ideia de que o trabalho é virtude suprema e a preguiça representava um pecado mortal.

E, para conseguir todas as energias dos indivíduos e toda energia dos trabalhadores fosse exclusivamente dirigida para o trabalho, se tece a repressão sexual elevada a um nível poucas vezes conhecida na história da humanidade.

Não é por acaso que no período da moral vitoriana que se detém também o nascimento da psicanálise, porque opera com a repressão do desejo como condição de exercício do trabalho.

Todo mundo diz que nós mudamos de registro porque nossa sociedade não é uma sociedade do trabalho de massa, e, sim, a sociedade do consumo em massa.

E que para haver o sucesso do consumo em massa é preciso desreprimir o desejo dar asas soltas ao desejo e, sobretudo, dar asas soltas à busca do prazer.

Lembremos que qualquer liberação feita no modo de produção capitalista não libera coisa alguma.

Então o que é esta suposta liberação do desejo? Este suposto direito ao prazer? E na verdade a maneira pela qual você passa controlar o próprio desejo, não mais através da ética do trabalho, mas através da ética do consumo.

Tudo está ligado, portanto, a ideia do indivíduo de sucesso, competitivo, do sucesso a qualquer preço, que é eternamente jovem e eternamente belo.

O que conduz as mulheres à bulimia e à anorexia das modelos, os homens ao desejo pelos automóveis, todo este emaranhado que é vendido como desejo liberal.

Então refém de uma nova forma de repressão de desejo pelo controle dele e pela determinação de quais são os objetos válidos de desejo.

O resultado desse processo é muito pior do que o anterior porque o no processo anterior havia um esforço enorme de  passar por essa repressão a simbolização[29].

Esse processo de simbolização nós não vemos mais em nossa sociedade contemporânea porque tudo que pertencia ao universo simbólico caiu para a dimensão do signo, virou espetáculo e como signo é aquilo que você aponta e daquilo de que você se apropria.

E como não tem mediação simbólica, o que tem é uma luta mortal pelo acesso desses sinais: o sucesso, a juventude, o poder e a riqueza.

E isso gera uma violência, uma competição absolutamente colossal. Quando passamos por essa acronia, atopia e para a desmontagem do nosso corpo como ser sensível e, como ser simbólico e assim nos reduzimos a sinais virtuais fora do espaço e do tempo, eu acabo sem saber o que sobrou dos seres humanos.

Outros questionamentos nos assombram: qual é o novo ser humano que está surgindo?

Porque parece que aquele que existiu, acabou. Como será o que virá?

Ele vai nascer num campo sem simbolização[30], só de sinalização, sem espaço, sem tempo e sem corpo. Pois tudo será virtual.

Olgária Matos através de seu ensaio "O Mal-estar na contemporaneidade: performance e tempo" propõe uma reflexão apurada sobre a organização institucional e do trabalho segundo as exigências do capitalismo contemporâneo e as dinâmicas da modernidade, derivando na alienação e dominação do homem pelo mercado mundializado ou globalizado.

A educação contemporânea se notabiliza por deixar de ser a educação para a liberdade para se tornara educação para adaptação.

Referências:
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999;
______. A galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003; LEVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996;
 ______. As tecnologias da inteligência. São Paulo: Ed. 34, 1997; ______. A inteligência coletiva. São Paulo: Edições Loyola, 1998; ______. A máquina universo. Porto Alegre: ArtMed, 1998; Disponível em:
 ______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999; PELLANDA, Nize Maria Campos; PELLANDA, Eduardo Campos (org.). Ciberespaço: um hipertexto com Pierre Lévy. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000.
MATOS, Olgária. Modernidade em estado de exceção. Disponível em:http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/modernidade_republica_em_estado_de_excessao.pdfAcesso em 02/02/2015.
_____________ A cidade perversa e o esgotamento do prazer. Disponível em: http://www.emetropolis.net/download/edicoes/emetropolis_n07pdf   Acesso em 02/02/2015.
_____________ O mal-estar na contemporaneidade: performance do tempo. Disponível em: http://seer.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/159 Acesso em 02/02/2015.
COSTA, Pedro Henrique Ferreira; GODOY, Paulo Roberto Teixeira. O capitalismo contemporâneo e as mudanças no mundo do consumo. X Colóquio Internacional de Geopolítica. Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/-xcol/330.htm; Acesso em 15/02/2015.
HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1993.
LIMONGI FRANÇA, Ana Cristina; RODRIGUES, Avelino Luiz. Stress e Trabalho – Uma Abordagem Psicossomática. São Paulo: Atlas, 1996.





[1] Do latim virtus (“força” ou “virtude”), virtual é um adjetivo que, no seu sentido original, faz referência àquilo que tem a virtude de produzir um efeito apesar de não o produzir verdadeiramente. No entanto, o conceito está atualmente associado àquilo que tem existência aparente e não propriamente real nem física. O termo é bastante corrente no âmbito da informática e da tecnologia para fazer referência à realidade construída através de sistemas ou formatos digitais.

[2] Trata-se de conhecimento, mas não de qualquer tipo, este tem que ser útil à empresa. Como por exemplo, um empregado pode ser ótimo pianista ou musicista, contudo esta destreza não possui utilidade para o negócio onde trabalho. O conhecimento não se torna capital até o momento em que é capturado e empacotado de maneira que possa ser usado ou alavancado para o bem da companhia. O capital intelectual de uma empresa é encontrado em três lugares: 1. Capital humano: o conhecimento de indivíduos que criam soluções para os clientes. Exemplo: o funcionário cuja sugestão agrega ganhos à empresa. 2. Capital estrutural: os sistemas que foram requeridos para compartir e transportar o conhecimento, feito sistemas ou laboratórios de informação. Ele é necessário para alavancar o poder mental dos funcionários, e, assim, a empresa poderá usá-lo. 3.Capital clientelar: as relações que criam e mantêm com seus clientes. Seu prestígio e suas marcas são exemplo deste tipo de capital.

[3] A sociedade contemporânea também chamada de sociedade da informação é onde a manipulação e o domínio das tecnologias comandam o cenário. As primeiras manifestações sobre uma nova sociedade baseada nas potencialidades da informação inclusive como geração de riqueza fora manifestada por Bell (1978) de acordo com Burch (2005) e Nehmy & Paim (2002). Apesar de Bell não ter proposto a nomenclatura de Sociedade da Informação, foi ele quem trouxe para discussão as alterações realizadas com base nas tecnologias. Particularmente baseado em critérios como alteração no setor de serviços, uma vez que cresceriam os cargos atrelados ao conhecimento, servindo como mola propulsora de concorrência entre empresas, de forma de pesquisa e desenvolvimento e inovações tecnológicas passaria a ser o centro da atenção dos países em desenvolvimento, e a criação ainda de uma elite do conhecimento, que seria uma classe dominante nesta sociedade. 
Foi em 1990, que o termo Sociedade da Informação aparece no bojo do desenvolvimento da Internet e das tecnologias da informação e comunicação. A partir de 1995 o termo é inserido na agenda das reuniões da Comunidade Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (os 30 países mais desenvolvidos do planeta). O termo também foi adotado pelo governo norte-americano bem como pelo Banco Mundial. (Burch, 2005). Porém, para a referida autora (Burch, 2005), o termo Sociedade da Informação passou a ser empregado como construção política e ideológica, de forma unilateral no contexto da globalização, para quem a meta seria: “acelerar a instauração de um mercado mundial aberto e ‘autorregulado’”. Política que, segundo ela, contou e conta com o apoio de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.  De acordo com Castells (1999) foi de Nora & Minc (1980) a cunha do termo Sociedade da Informação.
Uma das nomenclaturas mais aceitas e propagadas na atualidade, se não a mais utilizada, para definir a sociedade baseada na economia informacional. Porém, acredita-se que, igualmente baseada na livre concorrência. Também foi na década de 1990 que surge o termo “knowledge society”, termo empregado particularmente pelos meios acadêmicos, como alternativa à visão de mercado adotada pelos organismos econômicos mundiais. (Burch, 2005). Para André Gorz a denominação correta seria Sociedade da Inteligência porque para ele a inteligência é o que de fato é importante. 
Para Toffler (1980) se estaria vivenciando a Terceira Onda, dado o fato de que a primeira onda fora a revolução agrícola, a segunda a revolução industrial e a terceira então seria aquela que começava a ser experimentada pelas nações desenvolvidas em torno das tecnologias emergentes, onde a informatização seria a peça central, causadora inclusive, da geração de ondas de desemprego jamais experimentadas anteriormente na história das Nações. Já pelo polonês Adam Schaff (1986) a nova sociedade é denominada de Sociedade Informática, porque a crise vivenciada por esta sociedade estaria diretamente relacionada com o crescendo da informatização e automação nas fábricas, trazendo a problemática do desemprego, através da substituição do trabalho manufaturado pelo trabalho autômato.

[4] O termo “sociedade da informação” enfatiza o papel da informação na sociedade. Mas afirmo que informação, em seu sentido mais amplo, por exemplo, como comunicação de conhecimentos, foi crucial a todas as sociedades, inclusive à Europa medieval que era culturalmente estruturada e, até certo ponto, unificada pelo escolasticismo, ou seja, no geral uma infraestrutura intelectual (vide Southern, 1995). Ao contrário, o termo informacional indica o atributo de uma forma específica de organização social em que a geração, o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico.

[5] A nova economia afeta a tudo e a todos, mas é inclusiva e exclusiva ao mesmo tempo; os limites da inclusão variam em todas as sociedades, dependendo das instituições, das políticas e dos regulamentos. Por outro lado, a volatilidade financeira sistêmica traz consigo a possibilidade de repetidas crises financeiras com efeitos devastadores nas economias e nas sociedades.

[6] A ideia mais difundida de poder está relacionada ao conceito weberiano que o traduz como sendo “a possibilidade de alguém impor a sua vontade sobre o comportamento de outras pessoas”.  Essa ideia de poder correlaciona a dimensão do poder com a capacidade de certos grupos ou indivíduos imporem suas vontades a outros para o atingimento de determinados objetivos. Um outro conceito de poder, de cunho mais sociológico, é apresentado por Diogo Moreira: “O poder é um fenômeno social no qual uma vontade, individual ou coletiva, se manifesta com capacidade de estabelecer uma relação da qual resulta a produção de efeitos desejados, que de outra maneira não ocorreriam espontaneamente”. Para a configuração do poder, então, exige-se a existência de uma “vontade”, de uma “capacidade” para fazer valer a vontade, ou seja, a produção dos “efeitos desejados”, e, finalmente, da certeza de que é preciso agir, pois os efeitos não aconteceriam “espontaneamente”.  Para conhecer, conceber ou divulgar uma “vontade” e também para avaliar a “capacidade” operacional, o poder demanda informação. Por isso também se afirma que informação é poder, ou mais que isso, é fator multiplicador e também medida de avaliação do poder.

[7] Arnold Toynbee considera que as grandes crises contemporâneas resultam do fosso que se cavou entre o fabuloso desenvolvimento das ciências (e do poder que assim é colocado nas mãos dos homens) e a estagnação dos conceitos éticos e políticos (que regem o modo de utilização desse poder).
É o “gap moral”, para o qual as novas tecnologias informacionais podem contribuir – seja para sua redução, seja para sua ampliação – a partir da formulação e implementação de políticas públicas de acesso à informação que permitam o efetivo exercício da cidadania.

[8] Cláudio Novaes Pinto Coelho alega que um dos principais equívocos sobre a sociedade contemporânea é o argumento de que o conjunto dos meios de comunicação, a mídia, é a instituição social mais poderosa. Fazem parte desse argumento expressões problemáticas como “sociedade midiatizada”, "cultura da mídia", e, etc. Cabe distinguir quais meios de comunicação possuem poder e que tipo de poder exercem. Não há dúvida que conglomerados empresariais como as Organizações Globo, no contexto brasileiro, e a News Corporation, de Rudolph Murdoch, no contexto mundial, são exemplos de instituições poderosas, que movimentam enorme quantidade de capital, influencia comportamentos individuais e coletivos e agem politicamente, defendendo seus próprios interesses e os interesses da sociedade capitalista de modo geral. A própria expressão "sociedade do espetáculo" pode dar margens a diversas interpretações equivocadas Se for entendida como o poder que as imagens exercem na sociedade contemporânea.
É certo que Guy Debord, o criador do conceito de sociedade do espetáculo, definiu o espetáculo como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. A sociedade do espetáculo corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há interdependência entre o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens.
O papel desempenhado pelo marketing, sua onipresença, ilustra perfeitamente bem o que Debord quis dizer: das relações interpessoais à política, passando pelas manifestações religiosas, tudo está mercantilizado e envolvido por imagens. Mas, se a sociedade do espetáculo só pode ser compreendida dentro do contexto da sociedade capitalista, isso não quer dizer que só nessa forma de vida social ocorre a produção de espetáculos.
A produção de imagens, a valorização da dimensão visual da comunicação, como instrumento de exercício do poder, de dominação social, existe, conforme argumenta Debord no livro Sociedade do Espetáculo publicado em 1967, em todas as sociedades onde ha classes sociais, isto é, onde a desigualdade social está presente graças à divisão social do trabalho, principalmente a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual.

[9] O fordismo foi termo criado por Henry Ford em 1914 quando se referiu aos sistemas de produção em massa (linha de produção) e gestão idealizadas em 1913. Trata-se de forma de racionalização d e produção capitalista baseada em inovações técnicas e organizacionais que se articulam, tendo em vista, de um lado uma produção em massa, e, de outro o consumo em massa.

[10] Henry Ford (1863 – 1947) foi um empreendedor americano fundador da Ford Motor Company que, inspirado no método idealizado por Taylor, foi responsável pela criação de um sistema industrial chamado de fordismo. A grande inovação do fordismo em relação ao taylorismo foi à introdução de linhas de montagens, na qual o operário era responsável apenas por uma atividade. (grifo meu).

[11] É sabido que o fordismo e taylorismo constituíram uma rigidez na disposição mente-corpo da subjetividade do trabalho, que o toyotismo é obrigado a flexibilizar sob pena de não constituir o nexo psicofísico capaz de instaurar a nova subsunção do trabalho vivo ao capital.  A nova implicação subjetiva do corpo parece ser afinal a última fronteira de subversão do capital. Por essa razão, o toyotismo constituiu um tipo de compressão psicocorporal. Que é elemento da experiência da condição pós-moderna tão abordada por David Harvey em sue livro "Condição pós-moderna". É claro que as múltiplas mudanças nas experiências do espaço e do tempo, tratadas por Harvey no capítulo “A compressão do tempo-espaço e a condição pós-moderna”, não poderiam deixar de ter rebatimentos nas experiências do corpo, tendo em vista que  o corpo é elemento ineliminável do sujeito e, portanto, da subjetividade.

[12] O twitter foi criado em 2006 por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass nos EUA. A ideia inicial dos fundadores era que o Twitter fosse uma espécie de "SMS da internet" com a limitação de caracteres de uma mensagem de celular.  Inicialmente chamada Twttr (sem vogais), o nome da rede social, em inglês, significa gorjear.

A ideia é que o usuário da rede social está "piando" pela internet. Desde sua criação, o Twitter ganhou extensa notabilidade e popularidade por todo mundo. Algumas vezes é descrito como o "SMS da Internet". Dick Costolo é o CEO da empresa e Jack Dorsey é o Chairman.

No dia 12 de setembro de 2013, por meio do perfil da empresa no próprio Twitter, foi informado que ela havia enviado à SEC (CVM dos EUA) documentos confidenciais para sua abertura de capital na Bolsa de Valores, operação também conhecida como IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês). No dia 7 de novembro de 2013, o Twitter fez sua estreia na Bolsa de Nova York. Todas as 70 milhões de ações colocadas no mercado foram vendidas. Seu valor chegou a subir até 90% de alta em relação ao valor estipulado inicialmente na abertura do pregão. Na ocasião, a empresa captou US$1,82 bilhão   no mercado e foi avaliada em US$24,57 bilhões.

No dia 23 de janeiro de 2015 duas novidades foram inseridas. O "Enquanto você estava fora" é um resumo das principais notícias e/ou tweets de quem você segue. Já o "Digits" é feito para desenvolvedores e vai auxiliar no acesso a sites pelo celular.

[13] “Nossos meios de comunicação são nossas metáforas Nossas metáforas criam o conteúdo da nossa cultura”. Como a cultura é mediada e determinada pela comunicação, as próprias culturas, isto é, nossos sistemas de crenças e códigos historicamente produzidos são transformados de maneira fundamental pelo novo sistema tecnológico e o serão ainda mais com o passar do tempo.
[14] Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) foi um filósofo fenomenólogo francês.  Estudou na École normale supérieure de Paris, graduando-se em filosofia em 1931. Lecionou em vários liceus antes da Segunda Guerra, durante a qual serviu como oficial do exército francês. Em 1945 foi nomeado professor de filosofia da Universidade de Lyon. Em 1949 foi chamado a lecionar na Universidade de Paris I (Panthéon-Sourbonne). Em 1952 ganhou a cadeira de filosofia no Collège de France. De 1945 a 1952 foi coeditor (com Jean-Paul Sartre) da revista Les Temps Modernes. Suas primeiras obras procuraram dialogar com a psicologia La Structure du comportement (1942) e Phénoménologie de la perception (1945);  Influenciado pela obra de Edmund Husserl, Merleau-Ponty procura dar carnalidade à consciência intencional de seu mestre e precursor, nesse sentido leva a filosofia de Husserl até as últimas consequência de sua encarnação no mundo da vida. Voltando sua atenção para as questões sociais e políticas, Merleau-Ponty publicou em 1947 um conjunto de ensaios marxistas - Humanisme et terreur ("Humanismo e Terror"),   a mais elaborada defesa do comunismo soviético do final dos anos 1940. Contrário ao julgamento do terrorismo soviético, atacou o que considerava "hipocrisia ocidental". 

Porém a guerra da Coreia desiludiu-o e fê-lo romper com Sartre, que apoiava os comunistas da Coreia do Norte. Em 1955, Merleau-Ponty publicou mais ensaios marxistas, Les Aventures de la dialectique ("As Aventuras da Dialética"). Essa coleção, no entanto, indicava sua mudança de posição: o marxismo não aparece mais como a última palavra na História, mas apenas como uma metodologia heurística.  Segundo ele, quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência, primeiramente nota e percebe esse objeto em total harmonia com a sua forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em sua consciência e passa a ser um fenómeno. Com a intenção de percebê-lo, o ser humano intui algo sobre ele, imagina-o em toda sua plenitude, e será capaz de descrever o que ele realmente é. Dessa forma, o conhecimento do fenómeno é gerado em torno do próprio fenómeno. 

Para Merleau-Ponty, o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade. (In Wikipédia, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Merleau-Ponty Acesso em 15/02/2015).
[15] Já escreveu Toffler, há mais de 36 anos: “Muitos de nós já tivemos uma vaga‘ sensação’ de que as coisas se movem mais rapidamente”. Existe uma sensação generalizada de mal-estar – uma suspeita de que as mudanças fugiram do controle. Tudo isso é verdade mesmo, temos a impressão e o sentimento de que o tempo corre, o mundo corre e nós estamos sendo passados para trás. Por que essa impressão e esse sentimento? A impressão é da mente e o sentimento é do coração, que são afetados pelas cada vez mais rápidas mudanças. A esse fenômeno humano, deque o tempo corre, o mundo corre e nós estamos sendo passados para trás, Toffler chamou de “choque do futuro”, uma coisa tão séria e crítica, que ele o classificou de mal psicológico.

[16] O Toyotismo refere-se ao modelo japonês de produção e que fora criado pelo japonês Taiichi Ohno e implantado nas fábricas de automóveis da marca Toyota, após a Segunda Grande Guerra Mundial. E, nessa época, o novo modelo era ideal para o cenário japonês, ou seja, um mercado menor, bem diferente dos mercados americano e europeu, que utilizavam modelos de produção fordista e taylorista. Foi na década de setenta, e plena crise de capital, o modelo Toyotista espalhou-se pelo mundo e sua principal ideia era produzir somente o necessário, reduzindo estoques (flexibilização de produção), produzindo em pequenos lotes, com a máxima qualidade, trocando a padronização pela diversificação e produtividade. As relações laborais também foram modificadas, pois agora o trabalhador deveria ser o mais qualificado, participativo e polivalente que possível, ou seja, deveria estar apto a trabalhar em mais de uma função. Os desperdícios detectados nas montadoras foram classificados em sete tipos: produção antes do tempo necessário, produção maior do que o necessário, movimento humano (por isso o trabalho passou a ser feito em grupos ou team work), espera, transporte, estoque e operações desnecessárias no processo de manufatura.

[17] As sociedades contemporâneas são marcadas por um processo contínuo de aceleração onde as matérias de expressão tornam-se rapidamente obsoletas. Parece que o mundo transforma-se numa seqüência aleatória e infinita. Neste sentido, a pluralidade configura-se em intensidade e não em densidade. O sujeito desta sociedade vive sob um estado profundo de letargia. Desestabilizado este absorve à determinação das lógicas capitalistas. Atravessados por princípios burgueses o sujeito vive um processo de desterritorialização. Para Machado, “a incoerência nos aflige”.
O capitalismo contemporâneo permite que as empresas incidem ao sujeito da sociedade de consumo informações suscetíveis de atrapalhar, embaralhar e perturbar a opinião e assim vendem as mercadorias. Tornam-se suas próprias figuras obsoletas muito rapidamente, forçando-a desempenharem uma nova configuração.

Para Baudrillard, “os objetos nunca se esgotam para que servem”, assim eles constituem um ciclo de renovação, antes de serem descartados pela totalidade da sociedade.

[18] A modificação da sociedade de consumo pelo capitalismo contemporâneo fora discutida por diversos autores que adotaram diferentes caminhos e reflexões. Entre eles, pode-se destacar: “sociedade burocrática do consumo dirigido” (Lefebvre, 1975); “sociedade do consumo” (Boudrillard, 1972); “sociedade dos consumidores” (Arendt, 1958); e “sociedade do espetáculo” (Debord, 1998).

O fator comum, entre todos, foram os efeitos que o consumo exerce sobre a sociedade e, em particular, sobre o indivíduo.  Assim, o consumo revela-se como termo forte da sociedade contemporânea. Portanto, este resultado pode ser passivo ou ativo. Em nossas análises centramos atenção entre dois pilares: por um lado, o consumo como um querer de coisas e inerente a natureza do indivíduo e, por outro, o consumo como fim do processo produtivo. O consumo não pode, então, ser considerado um momento autônomo, ele se encontra determinado, seja, pelo complexo processo constitutivo dos desejos humanos, seja pela lógica de produção, o que, nas sociedades capitalistas, significa dizer que se encontra estabelecido pela lógica do lucro.

O que esta em debate, nesse encontro, é a legitimidade das lógicas capitalistas de manipulação da “massa social”, que ativa os estados de consumo nas sociedades modernas. Estas representam, em expressão, certa subsunção ao modo de produção vigente. As necessidades de valorização do capital são maiores que as necessidades humanas, convertem-se em satisfação das exigências das unidades de produção e resguardam, sobremaneira, a expansão do capital. 
A sociedade de consumo é um produto do qual o capitalismo contemporâneo assume certa responsabilidade sob a lógica de operação do capital.

Para o desenvolvimento da sociedade burguesa, no presente período, é necessário submeter-se aos imperativos da economia capitalista. Para esta nova fase, a imagem (representação imaterial do objeto), a partir da publicidade e o marketing, invadem a esfera da mercadoria e agrega outros valores ao produto – o valor subjetivista.

[19] MMORPG é um dos gêneros de videogame mais populares e lucrativos dos últimos anos. Como muitos destes jogos são desenvolvidos para serem jogados durante anos, graças a constantes atualizações, eles possuem uma enorme capacidade de fidelização de jogadores. A sigla MMORPG significa “Massively Multiplayer Online Role-Playing Game” (ou “jogo de representação de papéis online, multijogador em massa”, em tradução livre). O termo “MMORPG” foi usado pela primeira vez em 1997, por Richard Garriott, o criador de Ultima Online – até hoje um dos melhores exemplos do gênero. Como nos RPGs “offline”, os jogadores assumem o papel de um personagem em um mundo virtual, geralmente medieval e/ou mágico, e controlam todas as suas ações, incluindo interação com outros personagens e combate armado.

[20] A Internet, este espaço propiciador da rede, permite a pluralidade e a participação, ainda que de certa forma neste meio também exista a reprodução de padrões sociais já existentes. As sociabilidades são firmadas especialmente em laços fracos, as identidades mudam, as fronteiras são quebradas, as incertezas navegam junto com os indivíduos neste oceano, que ao mesmo tempo permite novas experiências com o pensamento e a cognição, em tempo real e em constante processo de ressignificação.

[21] O computador não é mais um centro, e sim um nó, um terminal, um componente da rede universal calculante. Suas funções pulverizadas infiltram cada elemento do tecno-cosmos. No limite, há apenas um único computador, mas é impossível traçar seus limites, definir seu contorno. É um computador cujo centro está em toda parte e a circunferência em lugar algum, um computador hipertextual, disperso, vivo, fervilhante e inacabado: o ciberespaço em si.

[22] Diante da sociedade de rede, Castells, aponta a existência de uma peculiar cultura da internet, que fora incentivada a partir da conjunção de outras quatro culturas: a tecnomeritocrática, a hacker, a comunitária virtual e a empreendedora. De uma forma geral, a cultura tecnomeritocrática diz respeito à elite científica que foi responsável pelo desenvolvimento da tecnologia informática.  E o grande ideal da cultura tecnomeritocrática é a crença no progresso humano através da incorporação da tecnologia. Por sua vez, a cultura hacker foi outro grupo que deu impulso ao crescimento da Internet. Neste caso, o hacker tem uma concepção diferenciada da que vulgarmente se associa ao “pirata da Internet”, correspondendo aos grupos de programadores que foram responsáveis pelas inovações tecnológicas do meio. A cultura comunitária virtual é formada por todas as pessoas que utilizam a rede e que conhecem em maior ou em menor grau seus recursos em termos de linguagem e de domínio de programações. É nesse espaço da cultura comunitária que as pessoas experimentam as potencialidades do meio, em termos de percepção e de interação. Por fim, a cultura empreendedora também integra a cultura da Internet, composta pelos capitalistas de alto risco que incorporaram o meio como instrumento de geração de riquezas.

[23] O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (LÉVY, 1999, p.17).

[24] Novo pharmakon, a inteligência coletiva que favorece a cibercultura é ao mesmo tempo um veneno para aqueles que dela não participam (e ninguém pode participar completamente dela, de tão vasta e multiforme que é) e um remédio para aqueles que mergulham em seus turbilhões e conseguem controlar a própria deriva no meio de suas correntes.

[25] O aparecimento da internet como uma rede mundial de computadores, veio a confirmar as expectativas de se criar um novo espaço para a expressão, conhecimento e comunicação humana. Porém, trata-se de um espaço que não existe concretamente no campo físico, mas apenas virtualmente, é o chamado ciberespaço. Termo que fora idealizado por William Gibson, em 1984, na obra Neuromancer, referindo-se a um espaço virtual composto por cada computador e usuário conectados em uma rede mundial.   Inegavelmente a revolução cibernético-tecnológica afeta os mais diversos aspectos da vida humana. Com a inserção de contextos virtuais, tal como círculo eletrônico de amizades, por meio de comunidades virtuais, e da possibilidade de navegar pelo mundo inteiro, tornando o presente cada vez mais próximo da ideia de aldeia global. 

Porém foi na última metade do século XX, com o surgimento da rede digital e do ciberespaço que fora explicitada a possibilidade de virtualização e então o virtual passou a ser um traço inquestionável nas práticas sociais. O espaço cibernético intensificou transformações sociais nos mais diferentes campos da atividade humana, é o que Manuel Castells chama de sociedade em rede.  No campo da produção de mercadorias surgiram as empresas virtuais que têm a internet como base de atuação, mas também ocorreram importantes alterações socioculturais e politicas que atingiram as principais mídias em decorrência do aceleramento dos meios de comunicação e de informação. Com o ciberespaço constituísse um novo espaço de sociabilidade que é não presencial e que possui impactos importantes na produção de valor, nos conceitos éticos e morais e nas relações humanas.

[26] Cibercultura é a cultura que surgiu, ou surge presentemente, a partir do uso da rede de computadores através da comunicação através de computadores, a indústria do entretenimento e o comércio eletrônico.  É também o estudo de vários fenômenos sociais associados à internet e outras novas formas de comunicação em rede, como as comunidades on-line, jogos de multiusuários, jogos sociais, mídias sociais, realidade aumentada, mensagens de texto, e inclui questões relacionadas à identidade, privacidade e formação de rede O conceito de cibercultura é trabalhado de forma diferente por cada autor.

Existem quatro linhas de analise do conceito: 1. Utópica, 2. Informativa, 3. Antropológica e 4. Epistemológica Quando trabalhado de forma utópica, o conceito refere-se ao advento de novas mídias e como estas influenciam a sociedade, formando subculturas. Autores como Andy Hawk e Pierre Lévy trabalhavam com o conceito desta forma Quando analisado sob o aspecto informativo, refere-se a um conjunto de práticas culturais que permite novas formas de transmitir-se informação (sem qualquer relação com o cyberpunk, neste caso). Autores como Margaret Morse e Lev Manovic trabalharam com esta visão Quando posto sob um ponto de vista antropológico, o conceito é estudado minuciosamente na história presente.

Refere-se a um conjunto de práticas culturais e estilos de vida gerados pelas TICs. Autores como Arturo Escobar e David Hakken trabalharam com o conceito de modo antropológico Epistemologicamente, o termo é usado para teorizar as novas mídias e as explorar como uma cultura de informação. A cibercultura é autorreflexiva, pois a teoria faz parte de suas narrativas, que impulsionam novas teorias. O autor Lev Manovich analisou o termo sob essa perspectiva.

[27] Como existe um hábito frugal de usar a tecnologia particularmente na vida do jovem e do adulto, as instituições que compõem a educação formal e informal estão tendo que sair dos moldes tradicionalistas e se inserir nesse ciberespaço. Nesse momento existe um choque de gerações entre um público chamado de nativo digital, que engloba as gerações que já nasceram inseridas na cultura digital, com os imigrantes digitais, que tem que se adaptar para aderir às novas ferramentas da cultura digital.

Entre os vários autores que trabalham com o conceito de cibercultura, está Pierre Lévy, que traz a ideia de inteligência coletiva, onde as inteligências individuais são compartilhadas (através de novas tecnologias) e se somam. Já outros autores que trabalham nesse tema são Catapam, Pedro Demo e André Lemos. Diante desse peculiar quadro a educação vem passando por diversas reformulações como a introdução de equipamento tecnológico em sala de aulas tais como computadores e tablets, e deveres de casa que são realizados através do meio virtual e até em salas de aula virtuais. Com o fito de integrar a sala de aula com ciberespaço, de matérias específicas na grade curricular como Desenvolvimento de Games, Programação Robótica e cibercultura. Inclusive os espaços de educação informal, tal como museus e centros culturais, tem adentrado esse universo com objetivo de instigar o jovem a frequentar esse espaço físico, fortemente ligado a formação de público.

[28] Avatar é um filme americano de ficção científica de 2009, escrito e dirigido por James Cameron, e estrelado por Sam Worthington, Zoë Saldaña, Michelle Rodriguez, Sigourney Weaver e Stephen Lang. O filme, que foi produzido pela Lightstorm Entertainment e distribuído pela 20th Century Fox, tem seu enredo localizado no ano 2154 e é baseado em um conflito em Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três planetas gasosos fictícios que orbitam o sistema Alpha Centauri. Em Pandora, os colonizadores humanos e os Na'vi, nativos humanoides, entram em guerra pelos recursos do planeta e a continuação da existência da espécie nativa. O título do filme refere-se aos corpos Na'vi-humanos híbridos, criados por um grupo de cientistas através de engenharia genética, para interagir com os nativos de Pandora.  O filme teve sua première em Londres, no dia 10 de dezembro de 2009.

[29] Já podemos notar que o símbolo é o portador de uma ambiguidade: ele opera, de um lado, a representação subjetiva e, de outro, uma imagem ainda vinculada à existência imediata do objeto. O sentido preciso dessa definição fica mais claro quando o comparamos às observações de Hegel sobre o signo. Neste último, "a conexão que possui o significado e sua expressão (...) é apenas uma junção inteiramente arbitrária. O que indica que os signos propriamente ditos fecham-se num campo autônomo ante as coisas que designam, um campo que tem regras e lógica própria. Daí a arbitrariedade da conexão: "O signo (Zeichen) é uma intuição imediata, mas que representa um conteúdo absolutamente distinto daquele que a intuição [do objeto] tem para si".

Apesar de, também no caso do signo, Hegel falar em "intuição imediata", o que é preciso reter de sua colocação é justamente a observação quanto "ao conteúdo absolutamente distinto daquele que a intuição tem para si". A esse respeito, é absolutamente pertinente a observação de Safatle: "Estranha 'intuição imediata' esta posta pelo signo já que é uma intuição que conserva a distância entre o conteúdo intuído e o conteúdo representado, entre o que é visado (Meinung) e o que é efetivamente dito", e poderíamos completar entre o significado e a expressão e, em última instância, entre a coisa e a palavra.

[30] Simbolizar significa representar e substituir realidades ideais ou teologais por sinais sensíveis eficazes do mesmo valor que elas, que continuam a existir para darem legitimidade aos seus símbolos. Ocorre com o símbolo algo parecido com alguém que devesse comparecer a uma cerimônia, mas está impossibilitado de fazê-lo.  Enviaria um substituto e representante seu, autorizado a fazer as vezes e a realizar os atos que o titular realizaria, sem tomar o lugar dele.  O substituto representa legitimamente, faz e diz com autoridade as coisas que o titular diria e faria, mas o titular  continua a existir, para dar legitimidade às palavras e atos do seu representante.  Sem a existência efetiva do titular, as ações e palavras do substituto não teriam validade.  A efetiva permanência do titular valida a sua representação. Para a Bandeira e o Hino simbolizarem o Brasil para todos os efeitos, é preciso que o Brasil exista.

Não pode haver símbolos de coisas inexistentes: faltaria suporte ontológico para eles. Não ocorre o mesmo com o sinal comum: nunca poderá representar nem substituir a realidade da qual é sinal; pois, tanto ele quanto ela podem desaparecer e reaparecer, sem que aconteça nada com a realidade ou sinal.
Poder-se mudar o sinal de uma coisa sensível sem consequência para ele ou para ela. Poderei substituir luz por som num semáforo e regular o trânsito do mesmo jeito. Poderei substituir semáforos americanos por chineses, sem prejuízo pra fluidez do trânsito. Impossível com os símbolos: jamais po­deria trocar símbolos de valores por outros, sem prejuízo para a legitimidade deles. Símbolos e valores não poderão ser alterados Existe uma função básica e natural da mente humana que é a de criar símbolos.

A função humana de simbolizar é essencial à atividade do subconsciente, já que a compreensão de si mesmo é expressa por símbolos: através deles entramos em contato com nossos mistérios internos e da sua interpretação adquirimos conhecimento do que somos. A capacidade humana de simbolizar é uma das coisas que distingue o homem dos animais. O uso dos símbolos faz parte da religião, do misticismo e da mitologia; dos sonhos, das alegorias, dos contos de fadas e dos rituais de passagem.